São Paulo, 22 de Dezembro de 2011

Só sei meu querido amigo que quando o desejo, o fogo, a paixão e o tesão acabam só resta, realmente, o amor... Depois que toda a dor passa (se é que ela passa...) resta um olhar abatido, um olhar cansado, mas no fundo restou-me algum tipo de esperança.
Larguei tudo para trás, deixei meu trabalho, meus filhos, minha casa... Com os olhos cheio de lágrimas e com as mãos trêmulas andei até que não tivesse mais força em minhas pernas, até que elas gritassem para que eu parasse e dormisse... Talvez o sono tirasse aquele pesar, tirasse a dor; talvez depois de dormir e acordar aquele pesadelo tivesse acabado... Mas enganei-me novamente...
Mas, como disse, já não haviam forças em mim para prosseguir. E ali debaixo daquele viaduto, repousei a minha cabeça... Sentado, recostado, agachado, até de pé tentei dormir, mas não foi possível. Era tudo diferente, era tudo muito sujo, pessoas estranhas, diferentes... Pessoas que antes eu ajudava de dentro do carro, por internet ou telefone, naquele dia estavam face a face comigo.
No momento em que eu quase dormir, fui assaltado; levaram meu paletó amarrotado, o dinheiro que estava no meu bolso, mas não me importei... Tanta coisa na minha cabeça, tanta coisa que aconteceu pra eu me preocupar com uma roupa e com um pouco de dinheiro...?
Acordei no outro dia todo dolorido, com os olhos pesados e com esperança de tudo aquilo não ter acontecido... Mas havia acontecido; era tudo verdade... Andei por toda aquela manhã, não tinha força para voltar para casa, não tinha cara para entrar no trabalho, não saberia o que fazer ao ver o meu patrão me cumprimentar com um "Bom dia" como fazia em todas as manhãs (talvez hoje eu entenda aquele sorriso no canto de seus lábios...).
Não sei o que havia comigo, se vergonha, se ódio... se frustração... Não senti fome, ou sede, mas senti a ausência. Parece que ela estava comigo a tanto tempo,m as dessa vez ela fez questão de dizer que estava bem ao meu lado... Quando chegou a noite voltei para debaixo do Viaduto do Chá. Era uma noite fria, mas ali mesmo eu teria certeza que toda essa mistura de sentimentos resultaria somente em um: amor. Tive certeza que quando tudo acaba, se o amor é verdadeiro ele continuará lá no fundo, por mais escondido que seja...
Bom querido amigo, deixo-te em paz por enquanto. Está chegando uma das datas que mais me trás saudade da minha família, da minha casa... A Mariana me chamou novamente para ir em sua casa; ainda me sinto desconfortável em estar perto dela depois do que descobri, mas se a vida escolheu esse caminho para ela, o que tenho para fazer? Eu não estava lá para...
Bom, depois conto mais sobre ela, meu escudeiro. Agora já vejo tudo embaçado por causa das lágrimas e a tinta começa a ficar borrada no papel... Descanse aqui ao meu lado, tente ser aquecido com esse amor que ficou lá no fundo do meu peito...

4 comentários:

  1. Chorei :X
    Manoooooooooooooooooooooooo... que coisa mais triste e linda ao mesmo tempo, como consegue colocar tanto sentimento e passar todos eles para quem lê isso aqui?
    Meus olhos estão marejados, meu coração pulsando forte e a vontade de conhecer esse Gabriel é forte. Sei que de fato ele não existe, mas sei tbm que existe muitos Gabrieis por ai, espalhados, com seus queridos diários, esperando uma ajuda, um sorriso, um ato de amor e carinho.
    Deus, me ajude a um dia conseguir me achegar à algum "gabriel" e demosntrar todo o Seu amor à ele.
    Bjones Jask, arrasou ;)

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  2. Obrigado Nelisa! Sim, existem tantos Gabrieis espalhados por ai... Uns moradores de rua, outros, não. Tem sempre um por perto esperando que nós sejamos esses diários e que nos escrevam suas histórias. Continue acessando e se surpreendendo!

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  3. Nossa. Que ideia interessante. Muito criativa a ideia desse blog. Tenho certeza que vou voltar sempre. :D vc escreve bem.

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  4. Obrigado Nagai! É sempre bom ter bons leitores por perto! Sim, volte e continue a se surpreender!

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