São Paulo, 22 de Janeiro de 2011

Escudeiro fiel. É assim que te considero: um escudeiro que cuida do meu corção e onde represo toda minhas alegrias e tristezas. Porto seguro nas tempestades, água fresca no deserto.
Tem cido recomeçar tudo novamente por aqui. No centro de São Paulo já conhecia muitas pessoas, fiz muitos amigos nas pondes e debaixo dela; alguns nas calçadas, sarjetas, hospitais... enfim, por aí. Depois que mudei para esse novo desafio é preciso se desprender do material, guardar o melhor e continuar vivendo.
Nessa nova jornada na zona sul de São Paulo conheci um amigo que tem se tornado muito importante para mim, mesmo com o pouco tempo de relacionamento. Alan Silva. Um jovem bem decidido, mas que apanhou um bocado da vida. Conheci esse jovem na fila do sopão noturno que um grupo de homens distribuía. Ele sentou-se ao meu lado e, como  se abrisse uma caixa de presentes, ele abriu sua vida para mim.
Em alguns pontos de sua história, nossas vidas se refletem: perdeu seu pai ainda muito jovem em uma parada cardíaca repentina, seus irmãos saíram de casa deixando-o sozinho com sua mãe. Foi então que as drogas se tornaram uma boa e venenosa companhia; dominaram-o até à alma mudando  o rumo de toda sua juventude.
Tentei mudar um pouco de assunto, me pareceu que todas aquelas lembranças revividas o fizeram sofrer de alguma forma. Convidei-o para ser alguém desprendido do passado, desligado do futuro e enraizado no presente. Chamei-o para ser meu companheiro nessa infinita jornada.
Ele se deu o mínimo tempo de secar suas lágrimas para aceitar. Fiquei muito feliz por sua escolha. Quero ser uma ajuda para ele, alguém que faça-o esquecer dos problemas e ajudar de alguma forma a resolver alguns; fazê-lo sorrir. Pensando bem, seu comportamento me lembra muito o início dessa nova jornada.
Estranho? Não. De alguma forma eu acho que a vida me deu uma segunda chance de cuidar de alguém que tem idade para ser meu filho.
Senhor, capacita-me para mais novos desafios como este e para outros que virão. São lutas diárias, renúncias periódicas, suores contínuos. Mais um cálice se aproximou, me ajuda a beber. E obrigado pela segunda chance; momento de tentar reparar erros passados.

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