Se preferir continuar esse grande inventário da minha vida prefiro continuar de um ponto que ficou esquecido durante muitos anos da minha vida, mas que hoje salientam-se em meu coração: Arthur e Dora, meus filhos. Eles eram crianças especiais e adoráveis. Filhos perfeitos.
Arthur era um excelente jogador de futebol e fazia desenhos como ninguém. Aos seus 10 anos foi selecionado para entrar no Santos, um time excelente de São Paulo. Jogou no time mirim por dois anos e chegou sempre aos lugares mais altos por seus devidos méritos. Como amava passar meus dimitunos segundos ao seu lado. Na minha mesa do escritória havia uma foto dele; como vou me esquecer daquela foto? O sorriso mais lindo, mais irradiante, mais inspirator de todos. Todas as noites beijava o meu caçula: já estava na cama, adormecido, mas era acalentador o som da sua respiração. Como eu te amei, filho...
A Dora era uma menina espetacular! Estava sempre querendo saber como fazer contas, como eu defendia todos aqueles casos e ganhava, como manter seus pequenos castelos de pé... Sempre curiosa, mas focada no alto, em alcançar o topo e se manter nele. Diferente do Arthut, Dora gostava de escrever. Escrevia seus sonhos, seus pequenos e ousados projetos, seus objetivos para aquela semana e pendurava na porta do seu guarda-roupas uma pequena planilha, que a ajudei a desenhar, com suas finanças.
Mas não dei a antenção que eles tanto precisavam. Lembro-me de muitas vezes ter de visitar a Dora no hospital por complicações respiratórias. Na vez em que o Arthur fraturou um dos dedos jogando bola não pude estar por perto para o abraçar e dizer que aquela dor iria passar. Perdoem-me, filhos queridos. Hoje a companhia das lágrimas e da saudade é constante, mas a lembrança de seus rostos não saem da minha cabeça e uma tímida tentativa de descobrir como são seus rostos hoje. Se ainda pudesse ter uma outra chance, uma segunda chance...
Não há justificativas boas o suficiente para cubrir todo esse vazio e ausência que compus na vida de vocês. Ainda mais depois de tê-los abandonado numa vida miserável, não financeiramente, mas numa vida infeliz junto à sua mãe. Mas não consigo terminar agora, querido amigo. Tudo isso foi uma reabertura nas minhas feridas e culpas...
Tu és o Médico dos médicos, Senhor, cura o meu interior, minha lama, minhas emoções. Cuida dos meus filhos onde eles estiverem. Perdoe-me dos erros cometidos, mas olhe por eles e ilumine um caminho de paz e cheio de preciosidades que somente Tu podes dar. Por favor, faça isso.

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