Quando cheguei para comer tinha acabado o pão, só tinham peixes! Tinham uns gordinhos na minha frente.
Mas voltando...Era tanta fome que me esqueci de contar qual era o nome daquela morena. Alice. Alice Moraes Stulbach. Começamos a sair juntos depois de uns dias do seu julgamento. Escondidos, pois não queria que meus amigos soubessem que eu estava saindo com uma das minhas clientes.
Foi num desses encontros que nos deixamos levar pelo fogo do desejo, pelos olhares e toques incendiantes. As semanas que sucederam foram de agonia para nós dois. Por meio de um teste ficamos sabendo que ela estava grávida.
Não foi uma novidade pra mim, pois já tinha sido, tecnicamente, pai três vezes, mas em todas as vezes eu mandava a garota abortar a criança. Não seria diferente ou difícil dessa vez. Mas ela não quis.
Depois de muito insistir, nos casamos. E como era angustiante aquela vida: sem amor, sem desejo, sem carinho, sem um ao outro, sem sabor, sem vida...
Comecei a chegar atrasado em casa todas as noites, não a traía diretamente, mas chegava atrasado por outros motivos... Isso é outra ferida que ainda crio forças para destampar e me esvaziar aqui...
De alguma forma o amor reavivava; sentia dentro dela um calor que emanava para mim, que de algum modo me envolvia e me tomava. Mas não me movia. Ainda continuava frio e ríspido.
Isso durou até...
Querido amigo, preciso ir agora. A Mariana chegou chorando; parece que alguma coisa muito ruim aconteceu, seus olhos denunciam isso.
Amigos são como bálsamo: cuide deles e sempre terás cura para suas feridas.

Só na mendigagem....
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