São Paulo, 11 de agosto de 2010

Resolvi escrever hoje para você num horário diferente. Estou aqui na fila do Bom Prato, aqui no Parque D. Pedro. Ainda é a tarde mas não quero contar como foi o meu dia, quero contar como foram dias passados.
Há algum tempo venho tentando falar, mas decidi por uma tampa sobre tudo isso. E como foi difícil retirá-la...
Como questiono a mim mesmo, não?! Como eu vim parar nessa situação? Como deixei tanta coisa fugir do controle?
Eu não era assim. Era um homem rico, condições financeiras exalavam de todos os meus poros. Estudei na Faculdade de Direito de São Paulo. Me graduei e virei logo um bom advogado. Ajudar os outros? Pra quê! Pra mim isso era coisa de advogado público. O meu foco era sempre o dinheiro e humilhar muito aqueles que tivessem cometidos erros no passado e que estavam diante do juíz tremendo de medo.
Meus pais sempre me criaram com o melhor que se pode imaginar, seus presentes caros, seu dinheiro sempre me cercava, mas me faltava sua companhia. Não os culpo; culpo a mim mesmo por não os ter amado suficientemente bem.
Conheci a vida pelo seu viés mais terrivel. Não consegui dormir sem usar, ou melhor, cheirar uma carreira, mesmo que pequena, de cocaína. Mulheres, prostitutas ou não, me cercavam sugavam meu dinheiro.
Mas logo percebi que prostitutas e drogas não era uma boa combinação.
Conheci uma mulher, linda. Morena, alta, com os cabelos curtos, do estilo chanel. Ela vestia um conjunto de blusa e saia marrons em degradê em direção às pernas. Ela estava no banco dos réus sendo julgada por um furto pequeno em uma loja do shooping.
Defendi seu caso pois seus pais pagaram muito bem, e sua pena foi amenizada. Mas foi ela em si que me chamou a atenção. Não foi seu dinheiro ou seu passado, mas foi ela que me prendeu por alguns segundos.
Bom, querido amigo, vou parar por aqui, pois chegou minha vez de comer... Mais tarde continuo contando sobre os dias passados, apesar de procurar viver hoje como um dia único.
Já pensou se essa refeição for dois pães e cinco peixes? Vou ter comida pra um bocado de dias!! Mesmo assim, abençoa, Jesus!

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