São Paulo, 10 de agosto de 2010

Uma dor passada é uma dor superada. Mas, infelizmente, não é uma dor esquecida.
Em outros tempos estaria hoje acordando com os olhos inxados, com o coração ainda apertado e
com uma dorzinha chata no fundo da minha alma. Felizmente, ou não, hoje pela manhã foi um dia diferente.
Ontem completou mais um ano da morte do meu pai. Já disse pra você, querido diário amigo, tudo que ele representou pra mim,
ou pelo menos, num mundo imaginário o que ele poderia ter representado.
Logicamente que eu senti falta da sua figura paterna. Ninguém conseguiu suprir isso em mim, mas aprendi muito olhando para essa
figura imaginária dentro de mim. Digo isso hoje depois que perdi muita coisa.
Alguns dizem que ele morreu num acidente de carro, outros afirmam que foi de trem. Mas o que adianta? Ele já não está mais aqui, não está mais comigo.
Somente uma coisa me questiona em todos esses anos: por que somente ele morreu nesse acidente. Um amigo distante da minha mãe disse que demoraram para o
reconhecer, pois seu rosto não parecia mais com o Sr. Ronevon Matos de Souza que conheciam. Quem sabe um dia eu também não descubra a resposta pra isso também?
Tantas coisas nos intrigam, nos questionam...Se consigo respondê-las, bem, se não, bem também.
Ontem encontrei-me novamente com a Mariana. Talvez esse encontro fez-me esquecer momentaneamente dessa dor. Almoçamos juntos uma modesta marmita que ela comprara em
um boteco em uma das muitas esquinas do centro de São Paulo.
Percebi que ela estava com um belo par de óculos. Foi então que ela me contou que quase fora morta essa semana por um grupo de homens que queriam fazer um programa, mas que não tinham dinheiro para pagar.
Comemos e voltamos às nossas vidas, ou pelo menos o que chamamos de vida.Terminei o dia catando algumas latinhas e ela voltou para o quarto de hotel onde morava, ali perto de onde comemos.
Um simples dia. Me pergunto se simples é sinônimo de muitas alegrias, muitas dores, muito ou pouco para sobreviver ou algo entre tudo isso. Boa noite, Senhor.

2 comentários:

  1. "A todos os que sofrem e estão sós, dai sempre um sorriso de alegria. Não lhes proporciones apenas os vossos cuidados, mas também o vosso coração." Madre Tereza de Calcutá.

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  2. Aai, esse dia eu achei triste.. mas eu gostei!
    Mto 'simples' e mto tocante! ;)

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