Como não perguntei antes? Por que não me atentei antes...? Era simplesmente olhar para minha mão e juntar alguns pedaços da história; era só olhar pra ela e perceber quem realmente éramos...
Não sei por onde começar; sinto-me perdido desde aquele banho na casa da Mariana. Mais que uma pele limpa ficou à mostra; feridas passadas foram abertas e novos rumos, ainda incertos, se abriram para mim.
Decidi continuar, pode ser uma coincidência, um fato que minha cabeça ligou em outro; talvez pelas dores, talvez pela ausência... Talvez não.
Depois desse episódio, voltei para as ruas com o Alan e não comentei nada com ele. Já tinha tido um surto psicótico com ele presente; até eu mesmo duvidava de algumas coisas que eu pensava ou fazia... Preferi, então, não comentar nada com ele, pelo menos por enquanto, ainda mais depois de outras coisas que aconteceram. Dessa vez com o Alan.
Querido amigo, uma dor passada não quer dizer que esteja superada. Entenda isso, por favor.
Eu e ele passávamos em frente de uma padaria e alguma coisa o fez parar. Minha cabeça estava tão longe que eu continuei caminhando e senti sua falta ao meu lado quando estava prestes a atravessar a rua. Voltei e ele estava lá parado, olhando para dentro da padaria. Vi aquela cena ainda meio de longe; como em cenas congeladas e devidamente encaixadas, o vi cair de joelhos no chão e começar a chorar. Abracei-o e fomos para um canto da calçada. Ele preferiu não falar nada para mim sobre a cena que passara.
No dia seguinte ele me pediu para que passássemos mais uma vez em frente aquela padaria; gentilmente, mas temeroso, atendi o seu pedido. Mais uma vez ele ficou estático diante da porta da padaria. Talvez fosse a vontade de comer ou beber alguma coisa de lá (coisa que não fazíamos muito bem há alguns dias). Mas era mais que isso. Começou a chorar novamente e apontou para uma senhora bem apessoada, mas com uma feição preocupada, como se procurasse alguma coisa. Alan me pediu para que eu fosse falar com ela. Sim, era a sua mãe que não vira desde que caiu no obscuro mundo das drogas.
Aquela mulher, que mais tarde fui descobri que se chamava Bruna, prontamente se levantou e marejou os olhos. Tentou tirar os amarrotados da roupa, pagou sua conta e, como o seu filho, ficou estática ao ver um homem. Ao ver o homem que seu filho se tornara: abatido, ferido, magro, mas continuava sendo seu filho. Sua surpresa durou muito pouco e logo caminhou para abraçar aquele que há muito tempo fazia falta para ela. Senti um amor inundar aquele lugar, enquanto muitos olhos me julgavam e repudiavam aquela cena. A falta de amor que me faz ter repúdio...
Deixei os dois conversarem, mas antes de ir falei para o Alan onde ele poderia me encontrar. No fim do dia sinto uma mão áspera me tocar; era ele. Ainda estava com as mesmas roupas que usava pela manhã, mas parecia diferente, mais feliz. Nunca toquei nessa ferida dele, era passada, mas não era superada, pois sempre se surpreendia e o via chorar, discretamente, pelos cantos quando via cenas de amor entre mães e filhos. Sem palavras entendi o que ele queria dizer naquele momento: levantei-me e o abracei. Era momento de abrir mão dele para seguir seu próprio caminho; eu fui uma mera ponte para ele conseguir passar por alguns abismos.
Acredito que o tempo que ficamos juntos fui um suporte para ele, fui uma luz para que ele enxergasse as pedras no meio do caminho para não tropeçar; fui uma espécie de porto seguro quando tudo inundou, nas noites cálidas de tristeza meu coração o aqueceu ouvindo suas dores, incertezas e angústias... É momento de encontrar um novo rumo para a sua vida; é momento de juntar as peças que, nesse tempo, ele coletou no meio do caminho. Então eu vi, querido amigo, o meu amigo partir para um novo rumo da sua vida.
Não sei se um dia o encontrarei novamente, mas muito obrigado, Senhor, por ter conhecido essa história; por ter trazido para perto alguém tão especial como ele é; pessoas assim encontramos poucas vezes na vida; poucas vezes nas ruas... Obrigado e continua me ajudando, pois agora serão novos rumos que eu preciso seguir...
Olá!
ResponderExcluirGostaria de estar parabenizando-o pelo o blog e o incentivo e a gentileza de estar compartilhando suas estórias, ideias, aprendizagens, experiências, enfim um pouco de tudo conoscos! Não há dúvida de que é uma estória encantadora e de valorização ao próximo, de aprendizagem e reflexão...
Aproveitando o comentário, queria propor uma parceria contigo!
Queria que me ajudasse a divulga o nome do meu blog, assim, posso também estar divulgando o seu no meu...
Caso esteja interessado em andar de mãos dadas com o Di Star Blog, entre em contato conosco, através de nosso "Formulário de Contato", disponível em nossa página!
Sem mais,
A Direação do Di Star Blog desde já agradece pela atenção!!!
Compartilhar... Em alguns momentos dividir significa somar. Talvez, de alguma forma, esse dividir se torne somar aqui no diário. Obrigado por acompanhar essa fascinante estória [eu me surpreendo a cada dia!] e é bom saber que alguém do outro lado também se interessa pelo Gabriel.
ResponderExcluirBom, sobre a nossa parceria poderemos conversar, sim. Entrarei em contato, pode ter certeza.
Obrigado, mais uma vez.
Continue acessando e surpreendendo-se!