Nos últimos tempos tenho me considerado um colecionador de histórias; colecionador de amigos, aventuras, horas, minutos, de vidas dentro da minha própria vida.
Saí tão derrepente da casa da Dona Crispina que não agradeci devidamente aos seus cuidados. Gostaria de conhcê-la melhor, quais são seus gostos a ponto de ajudar um estranho em meio a um surto psicótico.
Cheguei em sua casa, sozinho, e toquei a campainha. Não demorou muito para um belo i iluminado sorriso aparecer à porta acompanhado de um andar macio e despreocupado. Me abraçou como se fosse alguém muito especial ou conhecido; convidou-me para sentar-me em sua varanda. Eu estava diante de uma senhora simples, morena, com alguns degraus em seu rosto, com roupas que inspiravam amor e solidariedade.
A minha maior curiosidade era saber por que aquela senhora me ajudou. E foi com essa curiosidade que ela abriu cortinas da sua vida para um espetáculo ora deslumbrante, ora tristes.
Dona Crispina é a irmã mais velha de mais 4 outras mulheres. Viveu uma vida maravilhosa com seus pais, traçou uma infância inesquecível no Pernambuco. E foi num dos intervalos da faculdade de medicina, entre meados e fim do outono, que conheceu aquele que a tiraria do nordeste, viria a ser seu marido e lhe mostraria outra faceta da vida: Rogério. Ela me contou que foi um homem de muitas máscaras, muitos rostos que vieram a tona depois que chegaram em São Paulo e após largar sua vida regalada e a faculdade de medicina.Juntos passaram dificuldades, fomes, ausências, mas se estabeleceram bem financeiramente. Logo vieram os filhos e mais uma faceta de Rogério veio a tona: a traição. Assim como eu, Rogério traiu sua família com o tempo. Passava mais tempo ao celular do que conversando com sua família; sua casa era o escritório (sua residência parecia um mero hotel); seus filhos e esposa eram espécies de moletas para que, quando tudo estivesse mal, se apoiasse neles e despejasse todas suas lágrimas, iras, cóleras, frustrações... Foi uma relação de plena subtração que se arrastou durante 33 anos, até que um enfarto o separou de sua família.
Consciente que deveria continuar, Dona Crispina não gastou tudo o que tinha; pagou todas as dívidas e comprou uma casa ali na Rua Luís Góis. Seus filhos foram a abandonando: uns pelos trabalhos e pelos amores, outros porque Deus para Si tomou.
Resolveu ajudar todos possíveis que pudesse, já que não teve a atenção que desejava entregaria um pouco, mesmo que fosse algo que recebera pouco na sua vida. Hoje mora nessa residência com sua pequena cachorrinha Pink. Mesmo com tantas pancadas que todas essas guerras lhe ofereceu, ela simplesmente sorri. Acorda pela manhã e abre um belo sorriso; seus olhos comtemplam a tristeza com entusiasmo e otimisto.
Saí dali pasmado com tanta força para prosseguir até o ponto que a vida lhe permitir.
Pai faz isso comigo também. Quero ter essa força para seguir até onde permitir-me. Renova minha armadura, meu escudo anda rachado, minha espada não está mais tão afiada, mas sei que a capacitação vem de Ti. Espero em Ti. Obrigado por permitir conhecer mais essa guerreira, mais essa amazona.
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