São Paulo, 24 de Dezembro de 2010

Como é bom ter amigos na hora das lágrimas...
A Mariana chegou muito desesperada ontem; seus olhos estavam inchados e com alguns vergões avermelhados no seus braços, acompanhados de muitos arranhões. Simplesmente eu a abracei. Senti seu coração bater mais forte e mais rápido, porém, aliviado; suas lágrimas lavavam meus ombros e pescoço. Não falei nada; pelo menos nenhuma palavra que saísse expressamente dos meus lábios.  Fiquei assim até sentir uma respiração funda vinda dela.
Passei as mãos em seus cabelos e senti alguns hematomas; isso a fez saltar rapidamente de dor.
Procuramos algum lugar na calçada para que pudéssemos nos sentar. Algumas outras lágrimas brotaram no rosto da Mariana, mas se esforçava pra me contar o que acontecera com ela na última noite de trabalho.
Ela me contou que estava no seu ponto, como de costume. Chegou alguns homens querendo fazer uma festinha; ela deu o seu preço e eles foram pra uma casa. Ela não reconheceu o lugar, estava muito escuro e havia muita mata ao redor do misterioso lugar.
Quando ela chegou lá não havia festa alguma. Amarraram-na e abusaram dela com todos os tipos de "apetrechos" e  com tudo o que eles tinham vontade. Enquanto me contava isso, Ela chorava e passava as mãos nos braços numa tentativa de se limpar daquilo. A última coisa que lembrava foi que levara um soco de um dos homens que estava abusando dela e acordou jogada na calçada da esquina da Rua Indianópolis com a Av. Jabaquara.
A mulher que coordena o seu ponto, ao vê-la naquela situação, perguntou onde estava a parte do dinheiro que deveria ser dela. Mariana não respondeu nada e sentiu alguns chutes em sua cabeça. Não deixei que me contasse mais nada. abracei-a novamente e fomos para um pronto socorro que tem aqui perto do Viaduto do Chá.
Enquanto ela estava deitada em uma maca improvisada ali no chão mesmo conseguiu dormir; creio que não foram os efeitos dos sedativos ou dos remédios que estavam no soro que escorria até suas veias, mas foi a tranquilidade que teve naquele momento. Segurei sua mão direita e percebi uma manchinha perto do polegar. Lembro-me de ter visto antes, em algum lugar...
Meu querido amigo e fiel companheiro nesses últimos dias, me lembre de sempre ter um momento que eu tente estar tranquilo para que minha agitada mente repouse de alguma forma. E mesmo em meio às dores e sofrimentos, mesmo vendo a Mariana naquele leito improvisado de hospital me lembro que somos Tua ovelha, Senhor, e que nos faz repousar em pastos verdejantes. Obrigado.

2 comentários:

  1. hoje bateu palma um cara aqui pedindo pasta de dente e prestobarba, mas eu só dei a pasta de dente
    ....ja disse um sábio uma vez: só na mendigagem

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  2. Continue ajudando não só aqueles que batem à porta da sua casa, mas também os que batem à porta do seu coração!

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