São Paulo, 29 de Janeiro de 2011

Limpeza: um amigo distante as vezes. É dificil morar nas ruas e viver sempre limpo e cheiroso. Esses itens faziam parte da minha vida, mas já faz um tempo que se transformaram em peças raras em minha vida.
A Mariana me convidou para tomar banho em sua casa. De pronto eu atendi seu convite, mas falei que não iria sozinho e logo ela entendeu que levaria o Alan também. Quando chegamos ela nos abraçou e beijou meu rosto; engraçado como ela não se importou com o fato de eu estar "sujo". O Alan foi brincar com a Raquel: ele parecia uma criança e ela, como uma menina que acabara de ganhar um brinquedo novo.
Mariana começou me falar que Raquel havia ficado doente há dois dias atrás e ficou de cama, mas de repente ficara bem pedindo para tomar seu suco favorito de abacaxi com hortelã. Aquele evento a distanciou das ruas por duas noites e ela disse que se sentiu muito bem em não precisar vender seu corpo. Ao mesmo tempo que se sentia bem não podia parar com aquilo, pois pensava na sua filha todos os dias, no que comeria, no que vestiria... Como viveriam as duas.
Vi que seus olhos marejaram, mas sorriu com tanto amor para mim e retribuí segurando suas mãos.
Depois disso, lhe contei que o Alan estava melhorando a cada dia, e que não sentia mais vontade de usar drogas, mas que ao ver a felicidade dos outros alimentava sua alma, mesmo que o seu corpo estivesse debilitado e faminto.
Nos levantamos e ela me entregou uma toalha e um sabonete novo. Caminhei em direção ao banheiro. Ali, retirando minha roupa, me lemrei das roupas que eu tinha, uma roupa nova todas semanas, um novo perfume a cada saída de casa. Mas me senti tão feliz em olhar para o chuveiro modesto da Mariana; me senti livre, me senti limpo. Me senti humano.
Comecei a tomar banho. Cantava uma música que inventei na hora. Quando esfreguei minha mão direita vi uma coisa que não reparava há um tempo, e não me lemrava que estava ali: depois de esfregar e cair um pouco de água percebi uma marca na minha mão. A água estava quente mas a sentia gelada em minhas costas; minhas pernas perderam o equilírio e logo me sentei no chão. Como não me lembrei antes, como não perguntei antes?
Terminei meu banho como se nada tivesse acontecido. Esperei o Alan fazer o mesmo e jantamos. Um sorriso simples esboçou em meu rosto, mas ninguém perguntou-me nada. Saimos dali para dormirmos onde de costume dormíamos. Olhei mais uma vez para a minha mão e adormeci com aquela imagem.
Amado Senhor, me ajuda. Cometi muitos erros, se ainda posso os reparar me ajuda e me mostra como fazer isso. Existem espinhos no caminho e o caminho é escuro. Sejas minha Luz, meu guia. Por favor...

2 comentários:

  1. Gabriel esquecera-se como era estar limpo e perfumado, mas ressaltou uma coisa positiva, o bom convívio e o incentivo de quem quer largar as drogas. Ele diz que Alan não tinha mais vontade de usar drogas por causa de suas boas companhias, isso para mim é positivo, pois não importa a sua situação de sobrevivência, mostra que se quiser realmente se livrar de algo ruim, você pode! Espero eu que Gabriel continue sendo essa pessoa maravilhosa de cada dia, que me encanta!!! Quem dera se existisse o companheirismo que eu vejo aqui!

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  2. Sim, Danilo! A limpeza interior é sempre muito mais importante que a limpeza exterior. Sem dúvida um banho é miuto bom, mas olhar para dentro de si sem culpas é maravilhoso. Existe esse tipo de companheirismo; você pode não ter encontrado ainda, mas certamente encontrará um amigo; um irmão. Abraços e continue acompanhando!

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